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Limites atuais. E0-E3 não demonstra eficácia, aprendizagem ou qualidade. A referência de 90 segundos é uma estimativa de desenho, não uma medida. As formulações históricas reproduzidas abaixo não foram reescritas retroativamente.
O PVP (Protocolo de Versionamento Pedagógico) é um protocolo aberto para registrar, versionar e acumular melhorias em planos de aula a partir de evidências observadas em sala.
1Definição
O PVP é um conjunto mínimo de regras para registro, versionamento e acúmulo de melhorias em planos de aula. Inspira-se nos princípios do controle de versão de software (Git), transpondo-os para a realidade do planejamento pedagógico.
O PVP é protocolo - não metodologia, framework ou sistema. Um professor que segue as 5 regras está usando o PVP. Um professor que não segue, não está.
2Justificativa
O professor brasileiro trabalha em média 9,3 horas semanais em planejamento (OECD TALIS, 2024), atende múltiplas turmas e opera em contexto de alta rotatividade. Melhorias identificadas após cada aula são voláteis: existem na mente do professor por segundos e se perdem sem registro. O conhecimento pedagógico prático (PCK - Shulman, 1986) permanece tácito e desaparece com a mudança de escola, turma ou ano letivo.
O PVP propõe infraestrutura mínima para que esse conhecimento seja registrado, acumulado e rastreável.
3As cinco regras
Regra 1 - Versão explícita
Todo plano de aula sob o PVP carrega número de versão no formato X.Y.Z ou X.Y.
Regra 2 - Mudança registrada
Toda melhoria é documentada em um Registro de Melhoria (RM) contendo obrigatoriamente três campos: (a) o que mudou, (b) por que mudou, (c) o sinal de sala que motivou a mudança.
Regra 3 - Contexto declarado
O plano declara seu contexto de aplicação: série/ano, tempo de aula, recursos disponíveis e perfil da turma.
Regra 4 - Evidência mínima
Cada RM requer pelo menos um sinal de sala observado - evidência empírica coletada durante ou após a aplicação da aula.
Regra 5 - Proveniência preservada
O histórico de versões e a autoria permanecem rastreáveis ao longo do tempo. Nenhuma versão anterior é apagada; são substituídas por versões novas.
4Entidades
4.1 PAV - Plano de Aula Versionado
Qualquer plano de aula que passa a carregar número de versão e histórico de mudanças. O formato é agnóstico: pode ser caderno, documento digital, planilha, slide ou qualquer suporte. O PAV é o artefato do protocolo.
Campos mínimos: identificação (disciplina, tema, série, autor); versão atual (X.Y.Z ou X.Y); contexto (Regra 3); conteúdo do plano (formato livre); histórico de versões.
4.2 RM - Registro de Melhoria
A unidade atômica de mudança do protocolo. Cada RM documenta uma melhoria específica, com tempo estimado de preenchimento de 90 segundos.
Campos obrigatórios: o que mudou (descrição concreta); por que mudou (justificativa conectada à prática); sinal de sala (evidência observacional que motivou a mudança). Opcionais: data, tipo de mudança (X, Y ou Z), resultado observado.
4.3 VC - Variação Contextual
Adaptação de um PAV para contexto diferente do original, mantendo conexão rastreável com o plano base. A VC resolve o problema de professores que atuam em múltiplos contextos (regular/EJA, matutino/noturno, presencial/remoto, regular/PEI).
Identifica o PAV base de origem, declara o contexto específico da variação, mantém histórico próprio de versões, e melhorias universais podem ser reintegradas ao PAV base. Nomenclatura sugerida: VC-[contexto] (ex.: VC-EJA, VC-PEI, VC-Noturno).
5Versionamento semântico pedagógico
Baseado no Semantic Versioning (Preston-Werner, 2013), adaptado:
| Posição | Nome | Incrementa quando… | Exemplo |
|---|---|---|---|
X | Major | Reestruturação significativa: mudança de abordagem, público-alvo, redesenho da sequência | 1.3.0 → 2.0.0 |
Y | Minor | Ajuste dentro da mesma estrutura: troca de atividade, adição de exemplo, redistribuição de tempo | 1.2.0 → 1.3.0 |
Z | Patch | Micro-correção: link quebrado, clareza de instrução, correção de enunciado | 1.3.0 → 1.3.1 |
Quando X incrementa, Y e Z voltam a zero; quando Y incrementa, Z volta a zero. O formato simplificado X.Y é aceito (Z implícito = 0). A versão inicial é 1.0.0 (ou 1.0).
6Escala de evidência
Escala de maturidade do plano baseada no nível de validação empírica:
| Nível | Nome | Critério |
|---|---|---|
E0 | Rascunho | Plano nunca aplicado em sala - planejamento teórico |
E1 | Aplicado 1× | Aplicado pelo menos uma vez com observação do professor |
E2 | Aplicado 2+× | Aplicado duas ou mais vezes com checagem de aprendizagem |
E3 | Multicontexto | Aplicado em contextos diferentes com Variação Contextual documentada |
A evidência é indicada após a versão. Exemplo: v3.2.1 - E3.
7Camadas de implementação
O protocolo é implementável em quatro camadas progressivas. Cada camada funciona de forma autônoma.
| Camada | Nome | Descrição | Requisitos |
|---|---|---|---|
| 1 | Essencial | Professor preenche RM com 3 campos em 90s após a aula | Caneta e caderno |
| 2 | Estruturado | Uso do Canvas PVP, organização em planilha, histórico formal | Canvas impresso ou planilha |
| 3 | Colaborativo | Compartilhamento institucional, contribuições entre pares, curadoria | Repositório compartilhado, coordenação |
| 4 | Plataforma | Sistema digital com automações, busca, integração BNCC, análise de dados | Plataforma web/app |
8Sinal de sala
Conceito central do PVP. Sinal de sala é qualquer evidência observacional que o professor coleta durante ou após a aula e que motiva uma melhoria. Não exige instrumento formal, pesquisa padronizada ou análise estatística.
Exemplos válidos:
- “70% dos alunos erraram a questão 3 no exercício de fixação.”
- “A turma dispersou após 20 minutos de exposição.”
- “Os alunos do fundo se engajaram quando troquei o exemplo abstrato por concreto.”
- “Nenhum aluno conseguiu iniciar a atividade sem pedir ajuda.”
O sinal de sala torna o PVP um sistema puxado: a melhoria é puxada pela realidade observada, não empurrada por teoria, plataforma ou diretriz externa.
9Transposição Git → PVP
| Git | PVP | Função | Divergência |
|---|---|---|---|
| Repository | PAV | Artefato versionado | PAV é agnóstico de formato |
| Commit | RM | Registro atômico de mudança | RM exige sinal de sala |
| Branch | VC | Variação para outro contexto | VC tem motivação pedagógica/legal |
| Semantic Versioning | Versionamento Pedagógico | Convenção X.Y.Z | Categorias adaptadas |
| Pull Request | Contribuição (SC) | Proposta de melhoria | Curadoria humana obrigatória |
| Merge | Integração | Incorporação de contribuição | Sem merge automático |
| Changelog | Histórico de versões | Registro cronológico | - |
| Automated tests | Sinais de sala | Validação | Escala qualitativa E0-E3 |
10Referências
- SHULMAN, L. S. Those who understand: knowledge growth in teaching. Educational Researcher, v. 15, n. 2, p. 4-14, 1986.
- SHULMAN, L. S. Knowledge and teaching: foundations of the new reform. Harvard Educational Review, v. 57, n. 1, p. 1-22, 1987.
- NONAKA, I.; TAKEUCHI, H. The Knowledge-Creating Company. Oxford University Press, 1995.
- OHNO, T. Toyota Production System. Productivity Press, 1988.
- PRESTON-WERNER, T. Semantic Versioning 2.0.0. 2013. semver.org.
- LEWIS, C. Lesson Study: A Handbook of Teacher-Led Instructional Change. RBS, 2002.
- OECD. TALIS 2024 Results. OECD Publishing, 2024.
- McNIFF, J. Action Research: Principles and Practice. 3ª ed. Routledge, 2013.
PVP Core 1.0 · Leidison Lima dos Santos · CC BY 4.0 · 2026 · DOI 10.5281/zenodo.18874305